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Apostas, celular e sofrimento emocional: psicóloga revela os sinais que merecem atenção
28/08/2026 às 13:56
O Rádio Comunidade desta quinta-feira (27), data em que foi celebrado o Dia do Psicólogo, recebeu a psicóloga Fabiola Souza para uma conversa especial sobre a profissão, saúde mental e diferentes situações que têm afetado a vida de muitas pessoas e famílias. Durante a entrevista, a profissional abordou temas como o vício em jogos de apostas, prevenção ao suicídio, cansaço emocional e os impactos do uso excessivo de celulares.
Um dos principais assuntos discutidos foi o crescimento do vício em apostas, que, segundo Fabiola, já podia ser considerado uma questão séria de saúde pública. A psicóloga explicou que o tema vinha aparecendo com frequência nos consultórios e destacou que, embora os homens representassem a maioria entre os apostadores, as mulheres também enfrentavam o problema e muitas vezes chegavam ao atendimento carregando sentimentos de vergonha.
Durante a conversa, Fabiola citou dados que apontavam que cerca de 70% dos apostadores eram homens e que o Brasil estava entre os países com maior número de pessoas envolvidas com apostas, com aproximadamente 55 milhões de brasileiros que já haviam apostado ou ainda apostavam. Ela ressaltou que o problema não fazia distinção de gênero ou classe social e podia atingir diferentes grupos da população.
A psicóloga também explicou o funcionamento das apostas no cérebro. Segundo ela, o ser humano possui um sistema de recompensa responsável pela sensação de prazer, e os jogos exploravam justamente esse mecanismo ao oferecer a possibilidade de uma recompensa rápida. O problema se agravava porque a pessoa nem sempre ganhava, mas justamente a alternância entre perdas e ganhos acabava estimulando a continuidade das apostas. Esse mecanismo era conhecido como reforço intermitente.
Fabiola explicou ainda que, no antigo DSM-4, o transtorno do jogo era classificado como um transtorno do controle dos impulsos. Já no DSM-5, passou a ser reconhecido como uma doença, sendo colocado junto aos transtornos relacionados aos vícios em drogas e álcool. Dessa forma, o problema poderia exigir tratamento especializado, envolvendo acompanhamento psiquiátrico, terapia para mudança de comportamento e, em situações mais graves, até internação.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a forte exposição às propagandas de apostas. Fabiola chamou a atenção para a presença constante dessas publicidades durante grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo. Segundo ela, essa exposição em massa poderia funcionar como um gatilho permanente para pessoas que já enfrentavam dificuldades relacionadas ao jogo.
A entrevista também abordou o Setembro Amarelo e a prevenção ao suicídio. Fabiola destacou que os números relacionados ao suicídio entre homens eram preocupantes e ressaltou a necessidade de observar sinais que muitas vezes eram ignorados por familiares e amigos. Entre esses sinais estavam frases como não se enxergar mais no futuro, dizer que a vida havia perdido o sentido ou demonstrar uma ausência de planos para os próximos meses ou anos.
A psicóloga reforçou que falas relacionadas à morte não deveriam ser tratadas como simples tentativa de chamar atenção. Segundo ela, quando uma pessoa dizia que queria morrer ou demonstrava não encontrar mais sentido na vida, aquilo deveria ser entendido como um sinal de alerta e receber atenção.
Fabiola também falou sobre as diferenças observadas entre homens e mulheres diante das tentativas de suicídio. Ela explicou que, estatisticamente, mulheres poderiam utilizar as primeiras tentativas como uma forma de pedir socorro e demonstrar a intensidade da própria dor, enquanto os homens apresentavam maior resistência em procurar ajuda e, em muitos casos, acabavam chegando a situações mais graves.
Outro fator destacado pela psicóloga foi a dificuldade que muitos homens tinham em reconhecer os próprios sinais de sofrimento. Ela comparou a situação à luz de alerta no painel de um carro: quando um problema aparece no veículo, normalmente o motorista procura um mecânico. No entanto, quando os sinais surgiam no próprio corpo e na mente, muitos homens preferiam ignorá-los.
Entre esses sinais estavam o cansaço extremo, dificuldades no cotidiano e problemas financeiros, apontados como alguns dos principais fatores de pressão atualmente. Para Fabiola, a demora em procurar ajuda médica ou psicológica poderia fazer com que o sofrimento se agravasse e levasse a pessoa a acreditar que não havia mais saída.
Durante o Rádio Comunidade, a psicóloga também explicou que nem todo cansaço era igual. Ela falou sobre diferentes formas de cansaço, incluindo o físico, mental, emocional, social e espiritual. Enquanto o cansaço físico poderia ser amenizado com descanso e sono, o cansaço emocional não desaparecia simplesmente depois de uma noite de sono.
Outro alerta apresentado foi relacionado ao uso excessivo do celular. Fabiola explicou que muitas pessoas acreditavam estar descansando quando ficavam longos períodos utilizando o aparelho, navegando pelas redes sociais e consumindo conteúdos de forma contínua. Entretanto, esse comportamento poderia manter a mente constantemente estimulada e contribuir para a sensação de esgotamento.
Como alternativa, a psicóloga recomendou buscar atividades fora do ambiente digital e desenvolver hobbies que permitissem à mente desacelerar. Entre os exemplos citados estavam a prática de atividades físicas, como a corrida, além da jardinagem e de atividades manuais.
Fabiola explicou que a corrida poderia funcionar como uma espécie de escape mental, permitindo que a pessoa se concentrasse na atividade física e se afastasse temporariamente das preocupações. A jardinagem também foi citada como uma alternativa, já que o contato com a terra, o cuidado com as plantas e o acompanhamento do crescimento poderiam proporcionar uma experiência relaxante.
Até mesmo atividades simples, como fazer bolos e desenvolver trabalhos manuais, foram apontadas pela psicóloga como maneiras de descansar a mente e reduzir o tempo diante das telas.
Ao longo da entrevista, Fabiola Souza reforçou a importância de prestar atenção aos sinais apresentados pelo corpo e pela mente, evitar a normalização do sofrimento e procurar ajuda quando necessário. A participação no Rádio Comunidade trouxe diferentes reflexões sobre saúde mental e mostrou como assuntos como apostas, sofrimento emocional, suicídio e excesso de tecnologia estavam diretamente relacionados ao cotidiano de muitas famílias.
