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Câncer de boca pode ser silencioso; especialistas alertam para sinais e fatores de risco
12/08/2026 às 13:49
O Rádio Comunidade, da Difusora 95.3, recebeu o Dr. Gustavo de Melo Almeida, cirurgião-dentista oncológico, e Ana Paula Ribeiro Machado, gestora do Instituto de Prevenção Júlia Prado, para uma conversa sobre a prevenção, o rastreamento e a importância do diagnóstico precoce do câncer de boca.
Durante a entrevista, o Dr. Gustavo explicou que o número de casos vem crescendo gradualmente e destacou que, no passado, muitos diagnósticos eram realizados somente em estágios avançados. Segundo ele, o câncer de boca pode começar de forma silenciosa, muitas vezes com uma pequena ferida semelhante a uma afta, o que faz com que o paciente não dê a devida atenção ao sinal.
O especialista ressaltou que a identificação precoce permite tratamentos menos agressivos e contribui para a preservação da qualidade de vida dos pacientes. Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, placas brancas, enegrecidas ou acastanhadas que não saem com raspagem, rouquidão persistente, dores de garganta e nódulos no pescoço.
Ana Paula destacou o trabalho realizado pelo Instituto de Prevenção Júlia Prado, que atua no rastreamento e diagnóstico de possíveis casos. Segundo ela, a instituição também realiza mobilizações em fazendas e cidades da região para facilitar o acesso da população à avaliação preventiva, principalmente para trabalhadores que encontram dificuldades para comparecer aos serviços de saúde.
Os convidados também chamaram atenção para os principais fatores de risco, como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, exposição excessiva ao sol, infecção pelo HPV e o contato inadequado com determinados produtos químicos. O Dr. Gustavo reforçou que a combinação entre álcool e cigarro aumenta significativamente os riscos e que trabalhadores com grande exposição solar precisam redobrar os cuidados, principalmente em relação ao câncer de lábio.
Outro ponto abordado foi o tratamento. O especialista explicou que cada paciente recebe uma avaliação individualizada e que o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Ele também destacou a importância da atuação de uma equipe multidisciplinar, incluindo profissionais como dentistas, fonoaudiólogos e nutricionistas, especialmente antes e durante tratamentos de cabeça e pescoço.
Ana Paula explicou ainda que o Instituto realiza o rastreamento e as biópsias e, nos casos confirmados, encaminha os pacientes para os centros de referência responsáveis pelo tratamento. Ela ressaltou que a equipe acompanha o paciente durante o processo, auxiliando na logística para que ele tenha acesso ao atendimento necessário.
Durante a entrevista, os convidados também falaram sobre os desafios da prevenção. Ana Paula contou que ainda existe resistência, medo e até vergonha por parte de algumas pessoas em procurar atendimento, o que contribui para faltas às consultas. Mesmo assim, a equipe busca os pacientes e realiza novas marcações para ampliar o alcance das ações preventivas.
Para o Dr. Gustavo, a oncologia representa uma missão e o trabalho desenvolvido em Patrocínio é a concretização de um sonho profissional. Ele reforçou que pessoas com fatores de risco devem manter acompanhamento regular e procurar avaliação diante de qualquer alteração persistente na boca ou na garganta.
Ao final, os profissionais reforçaram a importância de manter uma boa higiene bucal, adotar hábitos saudáveis, evitar o consumo de cigarro e álcool e procurar atendimento diante de feridas que não cicatrizam. O Instituto de Prevenção Júlia Prado atende pelo WhatsApp (34) 3469-5871 e também recebe a população presencialmente para orientações e avaliações preventivas.
