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Imagem: Reprodução Web
Cerrado das Águas lança novo posicionamento estratégico com foco na regeneração territorial
01/09/2026 às 08:53
O Cerrado das Águas lançou seu novo posicionamento estratégico, acompanhado de uma nova nomenclatura e identidade visual, durante evento que reuniu representantes do setor produtivo, entidades, empresas e parceiros. A iniciativa passa a se apresentar como uma plataforma de regeneração territorial, ampliando sua atuação para além da cafeicultura e buscando integrar produção, conservação ambiental e desenvolvimento social em escala regional.
Segundo o presidente do Cerrado das Águas, Marcelo Urtado, a mudança representa uma evolução na atuação da iniciativa, que teve origem com o objetivo de garantir água para a população e para a produção de café. A partir da experiência acumulada, o projeto passou a trabalhar com diferentes culturas, segmentos e propriedades, adotando uma abordagem regional. Entre as novidades está o corredor regenerativo, estruturado a partir de estudos realizados em mais de 55 municípios, envolvendo mais de 2 mil propriedades e aproximadamente 180 mil hectares. O levantamento considera áreas de preservação permanente, áreas degradadas e os diferentes sistemas produtivos para definir estratégias de restauração e conservação mais adequadas. A meta é avançar na implantação do corredor no Cerrado Mineiro, conectando áreas naturais e propriedades e ampliando os resultados ambientais e sociais. Marcelo também reforçou a importância das parcerias, destacando a cooperação entre produtores, empresas e instituições como elemento essencial para a regeneração dos territórios.
Para Cláudio Wagner, analista técnico de agronegócio do Sebrae, o reposicionamento está alinhado a um movimento iniciado nos últimos anos para fortalecer a estratégia do Cerrado Mineiro como região produtora de café e associá-la aos negócios regenerativos. De acordo com ele, a nova identidade permitirá comunicar de forma mais clara à sociedade o trabalho que já vem sendo desenvolvido pelo Cerrado das Águas e fortalecer as evidências de sustentabilidade do café produzido na região. Wagner também destacou os impactos das ações na recuperação do bioma, na proteção dos recursos hídricos e na disseminação de conhecimento técnico entre os produtores. Segundo o analista, iniciativas como corredores ecológicos e o plantio de espécies nativas já apresentam resultados positivos, inclusive com áreas onde há evidências de recuperação de nascentes. Para ele, a sustentabilidade passa a ser também um diferencial para apresentar ao mercado a origem do café, a forma como é produzido e a relação entre produção, território e conservação ambiental.
O diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, destacou a relevância histórica do Cerrado das Águas para a região e lembrou que os trabalhos começaram em 2018, inicialmente com ações voltadas à melhoria das práticas sustentáveis dos produtores na bacia do Córrego Feio. O objetivo era aumentar a infiltração de água no solo e contribuir para a disponibilidade hídrica tanto para o abastecimento da população quanto para a irrigação das propriedades. Com a expansão do projeto para municípios como Serra do Salitre, Coromandel e Araguari, a iniciativa passa agora a projetar a implantação do corredor regenerativo, conectando matas, reservas e propriedades. Tarabal também chamou atenção para os efeitos das mudanças climáticas, citando períodos de seca, geadas e alterações no regime de chuvas. Diante desse cenário, defendeu o avanço de práticas como reflorestamento, cobertura vegetal do solo, conservação dos recursos naturais e uso de produtos biológicos. Ele ressaltou ainda que a regeneração deve envolver toda a sociedade, incluindo a população urbana, por meio de atitudes como o uso consciente da água e a reciclagem.
Texto: Allisson Araújo / Grupo Difusora
Reportagem: Márcio Souza / Difusora 95,3 FM
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