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Cientista Tatiana Sampaio apresenta pesquisa sobre polilaminina em evento no IFTM Campus Patrocínio

12/03/2026 às 17:05

A professora, cientista e líder das pesquisas sobre a polilaminina, Tatiana Sampaio, ministrou uma palestra na II Mostra Mulheres Extraordinárias, realizada no IFTM Campus Patrocínio nesta quinta-feira (12). O evento busca destacar trajetórias femininas de impacto local e nacional. A bióloga foi escolhida por votação dos alunos.

Chefe de laboratório na UFRJ, Tatiana lidera há quase 30 anos pesquisas sobre a polilaminina, substância derivada da laminina que pode auxiliar na recuperação de movimentos em pessoas com lesão medular.

Bem-humorada, a cientista começou sua palestra contando como chegou ao estudo da polilaminina. Ela citou que não houve nenhuma razão que a motivasse a estudar especificamente essa proteína, mas que, com o passar do tempo, percebeu seu potencial.

Testes clínicos

A bióloga relembrou que o estudo clínico começou em 2018 sem investidores e enfrentou algumas dificuldades, como a troca de secretários de saúde, o que resultou em mudanças de hospital.

Com muita didática, Tatiana esclareceu que esse primeiro estudo foi feito com pessoas que haviam sofrido acidentes há até uma semana da primeira aplicação e apresentavam apenas lesões agudas.

Os resultados atuais apontam para a melhora de casos de até três meses, quando a lesão ainda é considerada subaguda, ou seja, não completamente cicatrizada.

Os estudos para traumas de mais de três meses estão sendo feitos atualmente apenas em animais, com a associação de outros medicamentos.

Segundo a cientista, os próximos testes clínicos serão feitos em cinco pessoas que ainda não sofreram a lesão e irão receber a primeira dose em até 72 horas, após o acidente.

Uso compassivo

O uso compassivo (autorização excepcional da ANVISA) da polilaminina pode ser realizado em traumas de até três meses. Apesar de o protocolo original proposto pelos pesquisadores ter sido desenvolvido para a fase aguda, limitada a até 72 horas após a lesão, a alta demanda judicial e os resultados promissores observados em casos crônicos acabaram ampliando o uso da substância para pacientes com lesões mais antigas que já não possuem outras alternativas.

Tatiana se mostrou otimista e enfatizou que as pesquisas não param, mas que é necessário paciência e primeiro prezar pela segurança dos pacientes.

Confira a palestra na íntegra:

Texto: Carol Souza/ Grupo Difusora