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Cientista Tatiana Sampaio participa na Difusora 95 e fala sobre pesquisa que pode ajudar na recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular
16/03/2026 às 12:59
O programa Rádio Comunidade, apresentado por José Eloi Neto na Difusora 95.3 FM, recebeu uma convidada de destaque nacional: a cientista e professora Tatiana Coelho de Sampaio. Durante a entrevista, a pesquisadora falou sobre sua trajetória na ciência e sobre a pesquisa que lidera há quase três décadas envolvendo a polilaminina, substância que tem mostrado potencial para auxiliar na recuperação de movimentos em pessoas com lesão medular.
A participação ocorreu durante a passagem da cientista pela cidade de Patrocínio, onde ela também esteve presente no evento “Mostra de Mulheres Extraordinárias”, promovido pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM).
Carioca, formada em biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana contou que sua pesquisa começou de forma inesperada enquanto estudava a proteína laminina em laboratório. Segundo ela, a descoberta aconteceu quando observou a formação de grandes complexos dessa proteína, fenômeno que despertou a hipótese de que poderia existir uma versão “potencializada” da substância.
“Eu estava estudando a associação entre unidades da proteína e percebi que ela formava grandes complexos. A partir daí pensei que poderia ser uma forma melhorada da laminina e que talvez tivesse aplicação terapêutica”, explicou.
A partir dessa observação, iniciou-se um longo processo científico que envolveu estudos em células, testes em animais e posteriormente pesquisas em humanos. Ao longo dos anos, os experimentos apontaram resultados promissores, principalmente na capacidade de estimular o crescimento de axônios — estruturas fundamentais para a comunicação entre os neurônios.
De acordo com a cientista, a polilaminina é produzida a partir da laminina extraída da placenta humana, material que normalmente seria descartado após o parto e que pode ser doado pelas gestantes para fins científicos. Uma única placenta pode gerar doses suficientes para centenas de aplicações.
Durante a entrevista, Tatiana destacou que a pesquisa está em fase avançada de estudos clínicos, mas ainda exige cautela e novos testes para comprovar plenamente sua eficácia e segurança.
“Na ciência, não podemos prever os resultados. É preciso tempo e muitos testes. Mas seguimos trabalhando para que, no futuro, essa descoberta possa beneficiar muitas pessoas”, afirmou.
A pesquisadora também deixou uma mensagem aos jovens interessados em seguir carreira científica. Segundo ela, persistência é essencial diante das dificuldades do caminho.
“Quando alguém disser não para você, pesquisador, finja que não ouviu e continue tentando”, aconselhou.
A entrevista destacou ainda os desafios enfrentados ao longo de mais de 25 anos de pesquisa, incluindo dificuldades burocráticas, busca por financiamento e a necessidade de parcerias com a indústria farmacêutica para viabilizar a produção do possível medicamento.
Apesar dos obstáculos, Tatiana ressaltou que os resultados obtidos até agora são encorajadores e reforçam a importância da ciência brasileira no desenvolvimento de soluções inovadoras para a saúde.
Assista a entrevista completa através do link abaixo:
https://www.youtube.com/live/Iqt-b2Zp36E?si=-3rrv6rta6pGttsJ
