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Contramestre Trovão e Anna Vitória destacam história e importância da capoeira em Patrocínio

08/08/2026 às 09:43

O programa Rádio Comunidade, da Difusora 95.3, recebeu Alex Augusto, conhecido como Contramestre Trovão, e sua filha Anna Vitória, a Meia Lua, quarta corda azul e amarela, para uma conversa especial em homenagem ao Dia da Capoeira e ao Dia do Capoeirista.

Durante a entrevista, pai e filha compartilharam suas histórias, experiências e a relação com uma das principais manifestações da cultura afro-brasileira, que reúne elementos de luta, dança, música, esporte, tradição e expressão cultural.

Contramestre Trovão relembrou início na capoeira

Alex contou que havia iniciado na capoeira em meados de 1994, após receber o convite de um amigo, o professor Gênio, Ronaldo Cláudio José. Segundo ele, a capoeira havia representado uma verdadeira transformação em sua vida.

Para o Contramestre Trovão, a modalidade havia se tornado parte fundamental de sua trajetória e havia contribuído para diferentes conquistas pessoais. Ao longo da entrevista, ele também explicou que a relação com a capoeira ia muito além da prática dos golpes, envolvendo disciplina, música, história e convivência.

Alex e Anna Vitória também falaram sobre a relação entre pai e filha dentro da academia. Enquanto fora do ambiente de treinamento ela o chamava de pai, durante as atividades Anna utilizava o nome de Contramestre Trovão, como forma de preservar o respeito e a hierarquia existentes dentro da capoeira.

História e tradição da capoeira

Outro assunto abordado foi a história da capoeira e dos apelidos utilizados pelos praticantes. Alex explicou que essa tradição esteve relacionada a um período em que a prática havia sido perseguida e proibida no Brasil.

Ele também destacou a importância de grandes nomes da história da capoeira, como Mestre Bimba e Mestre Pastinha, além de citar personagens que se tornaram lendas, como Besouro.

Segundo o Contramestre Trovão, a capoeira havia sido construída a partir da combinação entre luta, dança, ginga, música e elementos da cultura popular. Ele explicou que diferentes estilos e toques, como Angola, Regional, São Bento Grande, São Bento Pequeno e Benguela, faziam parte dessa tradição.

Anna Vitória contou sua trajetória

Anna Vitória, conhecida na capoeira como Meia Lua, contou que havia começado a praticar aos seis anos de idade, influenciada pelo próprio pai. Aos 18 anos, ela já acumulava mais de uma década de experiência na modalidade.

A jovem explicou que seu apelido havia surgido pela frequência com que executava o golpe meia-lua de compasso. Ela também relatou que havia interrompido os treinamentos durante um período para realizar um procedimento médico e que estava retomando as atividades gradualmente.

Durante a entrevista, Anna destacou que sua relação com a capoeira havia acontecido principalmente por paixão e identificação com a modalidade.

Semente da África e projeto social em Patrocínio

Alex também apresentou o trabalho desenvolvido pelo grupo Semente da África, ligado ao Mestre Angola, de Uberlândia. Segundo ele, havia recebido a oportunidade de levar o grupo para Patrocínio depois de anos de treinamento na cidade.

O projeto havia começado sem uma estrutura própria e, inicialmente, contou com apresentações em projetos da Prefeitura. Atualmente, segundo Alex, eram realizadas atividades voluntárias aos sábados no Poliesportivo da Matinha e, no último sábado de cada mês, no Cristo Redentor.

O projeto atendia pessoas de diferentes idades, dos seis aos 60 anos, incluindo alunos autistas. O Contramestre Trovão ressaltou que a capoeira também havia sido utilizada como ferramenta de disciplina, socialização e desenvolvimento pessoal.

Música e tradição dentro da roda

A entrevista também contou com momentos de música e explicações sobre os diferentes toques e cantigas da capoeira. Alex apresentou exemplos relacionados aos estilos Angola, Regional e Benguela e explicou que cada cantiga carregava histórias e elementos da tradição.

Ele também destacou a importância do berimbau na condução da roda e explicou que instrumentos como atabaque, pandeiro e agogô eram utilizados em outras manifestações relacionadas à cultura da capoeira, como o Maculelê.

A presença feminina na capoeira

Anna Vitória também destacou o crescimento da participação das mulheres na capoeira. Segundo ela, a presença feminina havia aumentado significativamente e as mulheres passaram a ocupar espaços que anteriormente eram vistos como predominantemente masculinos.

A capoeirista afirmou que sua participação havia servido de inspiração para outras meninas e citou mulheres que também faziam parte das atividades em Patrocínio, como Mislene, conhecida como Guerreira; Mariana, a Estrela; Yasmin; Ana Luísa e Maria Eduarda.

Para Anna, a presença dessas mulheres havia mostrado que meninas também poderiam aprender, evoluir e conquistar seu espaço dentro da roda.

Capoeira como instrumento de transformação

Ao longo da conversa, Alex destacou que a capoeira havia ultrapassado as fronteiras brasileiras e já estava presente em diversos países. Ele citou exemplos de mestres que atuavam no exterior e afirmou que, em países como Japão, China e Coreia, a modalidade havia sido utilizada inclusive como ferramenta educacional.

Como mensagem final, o Contramestre Trovão defendeu a prática da capoeira como alternativa para crianças, jovens e adultos e destacou seu potencial de afastar as pessoas das drogas, da solidão e de outros problemas sociais.

Anna Vitória também compartilhou uma mensagem de incentivo, afirmando que a capoeira havia contribuído para sua autoestima e para superar momentos difíceis.

O programa encerrou reforçando o convite para que a comunidade participasse gratuitamente dos treinos realizados aos sábados, às 14h, no Poliesportivo da Matinha, fortalecendo a capoeira como instrumento de cultura, esporte, disciplina, inclusão e transformação social em Patrocínio.