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Entrevista: Eliezer Fabiano

17/05/2016 às 10:52

Comandando o futsal do Catiguá, Eliezer Fabiano conquistou quatro títulos do Campeonato Mineiro nos últimos dois anos. Em 2014, o sub-17 faturou o Interior e o Estadual e em 2015 foi a vez do sub-11 repetir a façanha.

Formado em educação física, Eliezer chegou ao comando técnico do Catiguá há três anos e desde então vem marcando seu nome na história do clube. Em entrevista, ele conta como entrou no futsal e fala sobre a motivação para conquistar mais títulos.

Conta toda sua trajetória dentro do esporte.

Eu comecei no esporte desde os meus cinco anos. Sempre fui invocado com futebol. Fiz escolinha do Cruzeiro com o Marcelo Fernandes, no PTC com o João Grandão, no Bola Cheia com o Paulão, com o Darcelo e na Vila Olímpica Ninho da Águia. Joguei os campeonatos amadores da cidade, interbairros, sempre fui envolvido no esporte. Nunca fui um grande jogador, mas sempre gostei e sempre tive o sonho, igual toda criança, de ser um jogador. Mas chegando aos 16, 17 anos, eu fiz uma autocrítica, e vi que não tinha condição de ser jogador. Mas queria ficar envolvido no meio do futebol, fazer parte de uma comissão técnica. Foi onde eu escolhi fazer o curso de educação física. Sempre fui focado no campo. Nunca tive muito acesso ao futsal. Até pelo campo ser mais divulgado, o futsal sempre fica um pouquinho pra trás. Acho que é a questão de mídia, de jogadores, tudo. Então, fui fazer a faculdade, comecei na UNICERP. Fiz estágio na Patrocinense por dois anos, quando o Santo André veio aqui na parceria, que eu acompanhei o Sandro Gaúcho. Depois acabei minha faculdade em Patos, o bacharel em Educação Física, fiz mais um ano lá. Nesse vai e vem, formei, e comecei a trabalhar em academia. Fui pra São Gotardo, voltei. Até já não estava com muita esperança mais de trabalhar no futebol. Porque acaba que o futebol é muito fechado. Até tentei, mandava currículo, fazia contato. Mas como era recém-formado e ninguém me conhecia, era muito difícil entrar. Já estava quase desistindo. Aí, não sei se é coisa do destino mesmo, um dia trabalhando na academia, recebi uma ligação do Catiguá. Se não me engano do Paulinho, me convidando para ir em uma reunião. Já me falaram: Eliezer, tem o cargo aqui, você interessa fazer uma experiência? E como era um sonho meu, já larguei a academia. No outro dia já comecei a trabalhar nessa experiência. Graças a Deus as coisas foram andando. No começo teve muita dificuldade. Mas com o tempo, você vai amadurecendo e acostumando. Então, assim, trabalhar no futsal foi uma surpresa. Surpresa boa. Hoje, já nem vejo tanto o campo. Já sou uma pessoa que gosta demais do futsal. Claro que eu não fecho as portas, porque a gente não sabe o dia de amanhã. Mas hoje o conhecimento que eu tenho é graças ao futsal, graças ao Catiguá que abriu as portas pra mim.

Os quatro títulos do Campeonato Mineiro (dois do Interior e dois do Estadual), você acha que eles vieram rápido ou você já estava esperando por isso?
Com certeza foi muito rápido. Acho que ninguém esperava ser tão rápido assim. Pois no primeiro ano que a gente pegou no meio do campeonato [2013], a gente já foi terceiro lugar do Interior com o sub-17. Então, pegou a gente de surpresa por ser muito rápido a conquista dos títulos, mas por um lado a gente esperava também, porque tinha muito trabalho. Não foi uma coisa assim na sorte, de estalar os dedos e acontecer de ser campeão. Foram muitas pessoas, não só eu, o Hygor, o Jhonas, que deu uma força muito grande, tinha o Maurílio que treinava os goleiros. O Paulinho que era diretor e estava muito presente. Então envolveu muitas pessoas já tradicionais no futsal da cidade, muito trabalho, treino todos os dias, muita cobrança dos atletas. Claro que a gente não esperava ser tão rápido, mas a gente tinha certeza que uma hora a gente ia conseguir. Mas não foi uma coisa que caiu do céu, foi muito treino e muita organização.

Sobre a motivação que vocês do Catiguá tem pra ganhar. Qual a motivação pra continuar vencendo?
Acho que isso aí vem de cada um. Eu sempre fui uma pessoa competitiva. Quando eu era criança, tinha um vizinho meu que eu e ele não conversava. Porque toda vez que nós jogávamos bola, a gente brigava. Eu não aceitava perder em nada, nem no par ou ímpar. E isso a comissão [do Catiguá], as pessoas que estavam em volta, também eram. Todos têm esse ideal competitivo. Por mais que a gente já ganhou quatro campeonatos, a gente tem os pés no chão e já trabalha querendo mais. Então, eu acho que foi uma coincidência boa de todo mundo ter esse objetivo, de querer ganhar cada vez mais e ser competitivo.

Nesses anos aqui no Catiguá, vocês contam com a ajuda da psicologia esportiva, com o Jhonas, que é profissional da área. Fala da importância disso para as equipes de competição do Catiguá?
É, o Jhonas faz um trabalho individual com os atletas durante a semana e faz também o coletivo. O Goiaba também ajuda a gente, que é um cara que apoia bastante o futsal do Catiguá. Para equipes de competição, é de suma importância. Principalmente, pelas idades que a gente trabalha, categorias sub-11 e 13, são meninos muito novos. Acaba que sente mais, não tem experiência de jogar valendo três pontos. Então o Jhonas veio pra auxiliar a gente e tem uma porcentagem muito grande nas conquistas do Catiguá.

Agora em 2016, no sub-11 e sub-13, o que esperar de resultados?
A equipe sub-11 é mais difícil de cobrar resultado, porque os meninos começaram esse ano. São atletas que estão aprendendo a parte tática, aprendendo até a parte técnica. É uma categoria que a gente não tá cobrando tanto resultado, mas espera chegar nas finais sim, porque tá treinando muito. Pode acontecer de não chegar, mas a gente tem muitos meninos bons que podem dar alegria ao Catiguá futuramente. O sub-13 tem a base que foi campeã no ano passado pelo sub-11 e tem alguns atletas no último ano de sub-13 que vieram pra ajudar e agregar a equipe. A gente tem uma grande esperança de poder chegar as finais. Depois que chegar, a gente vai trabalhar pra ser campeão. A expectativa maior é na equipe sub-13. Vamos ver durante o campeonato como a equipe vai se postar. Mas a gente, claro, tem uma expectativa de trazer mais um título esse ano.

A comissão técnica de vocês já provou que é pé-quente?
É, graças a Deus todo ano teve uma conquista. No primeiro ano, como eu falei, a gente pegou no meio do trabalho, teve um terceiro lugar, mas que teve medalha. E nos outros anos [2014 e 2015], chegamos e fomos campeões. Então a gente espera não passar em branco. Passar um ano em branco é ruim. Vamos tentar aí trazer mais um título pro Catiguá, pra cidade de Patrocínio. Pra todo ano a gente trazer um título e como você falou ficar com a fama de pé-quente.

Fale também da estrutura oferecida pelo Catiguá.
O apoio que a gente teve das duas diretorias [o Catiguá mudou de diretoria no início de 2015] foi de suma importância para a conquista dos títulos. A gente fica agradecido pelo esforço que a diretoria faz e o que a gente tem que fazer é trabalhar e trazer títulos pra recompensar esse esforço que a diretoria faz pelo futsal do Catiguá.

Filipe Ferreira