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Esteatose hepática pode evoluir para cirrose e exige atenção, alerta gastroenterologista
21/08/2026 às 14:37
O Rádio Comunidade desta terça-feira (18), apresentado por Zé, recebeu o médico gastroenterologista da Santa Casa de Patrocínio, Dr. Juarez Vasconcelos, para uma conversa sobre um problema de saúde cada vez mais comum: a esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado. Durante o programa, o especialista explicou as causas da doença, os fatores de risco, as formas de diagnóstico, os cuidados necessários e a importância da mudança de hábitos para evitar a evolução do quadro.
Segundo o médico, a esteatose hepática ocorre quando há um acúmulo gradativo de gordura nas células do fígado. Entre os fatores associados estão o consumo de bebidas alcoólicas, sobrepeso, obesidade, diabetes, pressão alta e colesterol elevado, além do sedentarismo e de uma alimentação rica em produtos industrializados e calorias. Dados apresentados durante a entrevista apontam que aproximadamente 30% a 33% da população pode apresentar gordura no fígado.
Um dos principais alertas feitos pelo Dr. Juarez foi justamente em relação ao caráter silencioso da doença. Na maioria das vezes, a pessoa não apresenta sintomas e pode conviver durante anos com o acúmulo de gordura sem perceber. Por isso, pessoas que possuem fatores de risco devem conversar com um médico sobre a necessidade de realizar uma avaliação do fígado.
O especialista explicou que apenas um exame de sangue não é suficiente para identificar a esteatose. Exames de imagem, como a ultrassonografia abdominal, podem ser utilizados na investigação inicial. Em situações específicas, outros exames, como a elastografia hepática, ajudam a avaliar a quantidade de gordura e a rigidez do fígado, informação importante para identificar possíveis sinais de fibrose e risco de evolução para cirrose. O Ministério da Saúde também destaca a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico para pessoas com fatores de risco.
Durante a entrevista, Dr. Juarez chamou atenção para um conceito que ainda é muito presente no conhecimento popular: a ideia de que a cirrose estaria relacionada exclusivamente ao consumo de álcool. Segundo o médico, isso não é verdade. A esteatose relacionada a alterações metabólicas também pode evoluir para formas mais graves da doença hepática. O Ministério da Saúde confirma que a gordura acumulada no fígado, quando não tratada adequadamente, pode provocar inflamação, fibrose e evoluir para cirrose e outras complicações.
Outro ponto abordado foi o consumo de bebidas alcoólicas por pessoas diagnosticadas com esteatose. Dr. Juarez explicou que, principalmente nos casos mais graves ou quando já existe comprometimento da rigidez do fígado, é necessário ter atenção redobrada. Para pacientes que desenvolveram cirrose, o médico ressaltou que o consumo de álcool deve ser completamente interrompido.
O gastroenterologista também destacou que o tratamento da gordura no fígado não depende apenas de medicamentos. Para ele, o chamado “básico bem feito” continua sendo fundamental: alimentação equilibrada e atividade física. A orientação é reduzir o consumo de gorduras, alimentos industrializados e excesso de calorias, enquanto aumenta-se a presença de frutas, verduras, legumes e fibras na alimentação. O Ministério da Saúde aponta justamente a alimentação saudável, o emagrecimento quando indicado e a prática regular de exercícios como pilares do tratamento e da prevenção.
A prática de exercícios também recebeu atenção especial durante o programa. Dr. Juarez reforçou que a falta de tempo, a rotina corrida e até algumas limitações físicas não devem ser utilizadas como justificativa para o sedentarismo. Segundo ele, pessoas com problemas na coluna ou nos joelhos, por exemplo, podem conversar com seus médicos sobre alternativas de baixo impacto, como atividades realizadas na água. A Sociedade Brasileira de Hepatologia também recomenda que a atividade física seja adaptada às condições clínicas e à idade de cada paciente.
A relação entre obesidade e gordura no fígado também foi discutida. O médico destacou que a perda de peso pode contribuir significativamente para a redução da gordura hepática e para a diminuição do risco de complicações. O Ministério da Saúde aponta o emagrecimento como uma das principais medidas para controlar e prevenir a esteatose, sempre evitando dietas radicais e mudanças extremas.
Outro assunto que ganhou espaço foi o uso das chamadas “canetas emagrecedoras”. Dr. Juarez explicou que esses medicamentos podem ter indicação para determinados pacientes, especialmente em situações como obesidade e diabetes, mas alertou para o uso sem acompanhamento médico. O especialista destacou o risco de perda excessiva de massa muscular quando esses medicamentos são utilizados de maneira inadequada, lembrando que a massa muscular também é importante para a saúde.
O médico ainda desmistificou a utilização de chás e produtos vendidos com a promessa de “detox” ou de “limpar o fígado”. Segundo Dr. Juarez, não existe uma solução milagrosa capaz de desintoxicar o órgão. Ele defendeu a medicina baseada em evidências científicas e ressaltou que a principal forma de preservar a saúde hepática é manter hábitos saudáveis e realizar o acompanhamento adequado. Orientações oficiais também alertam para a necessidade de evitar suplementos e medicamentos sem indicação profissional.
Durante a conversa, o gastroenterologista explicou ainda que pessoas magras não estão totalmente livres da possibilidade de desenvolver esteatose. Embora a maior parte dos casos esteja relacionada a fatores como excesso de peso e alterações metabólicas, também existem pacientes dentro do peso considerado normal que apresentam gordura no fígado, podendo haver influência de fatores genéticos e metabólicos.
Além do conteúdo médico, o Rádio Comunidade também abriu espaço para que Dr. Juarez contasse um pouco de sua trajetória. Natural de Alagoas, ele se formou pela Universidade Federal de Alagoas e realizou sua formação complementar na USP de Ribeirão Preto. O médico contou que chegou a Patrocínio após conhecer sua esposa, Dra. Mariane, e afirmou estar bem adaptado à cidade, destacando a receptividade da população, a culinária e a qualidade de vida no município.
Atualmente, Dr. Juarez atende no Centro Médico da Santa Casa de Patrocínio e realiza exames de endoscopia na instituição. Ao final da entrevista, ele colocou-se à disposição da população para esclarecer dúvidas e realizar avaliações médicas.
A participação no Rádio Comunidade reforçou uma mensagem central: a esteatose hepática pode ser silenciosa, mas não deve ser ignorada. O diagnóstico precoce, o acompanhamento médico, uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física são medidas importantes para controlar a doença e reduzir o risco de complicações.
