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Médica revela o que acontece ao dormir com a porta do quarto fechada
20/02/2026 às 16:43
Dormir com níveis de CO₂ acima do recomendado em quartos sem ventilação causa despertares noturnos e cansaço excessivo ao amanhecer.
Manter a porta do quarto totalmente fechada durante a noite pode parecer uma escolha natural por privacidade ou silêncio, mas o hábito esconde um inimigo invisível: o acúmulo de dióxido de carbono (CO₂). Estudos científicos recentes, publicados entre 2018 e 2025, revelam que a falta de renovação do ar em ambientes confinados eleva a concentração do gás expirado, impactando diretamente a arquitetura do sono e o desempenho cognitivo no dia seguinte.
Entenda
Acúmulo de CO₂: em quartos fechados com duas ou mais pessoas, os níveis de dióxido de carbono podem ultrapassar 1.300 ppm (partes por milhão), o que degrada a qualidade do ar.
Fragmentação do sono: o excesso de gás carbônico no sangue estimula o sistema nervoso, aumentando os despertares e reduzindo o tempo de sono profundo.
Impacto biológico: a má ventilação está ligada ao aumento do cortisol (hormônio do estresse) ao acordar e à sensação de cansaço crônico.
Solução simples: deixar a porta entreaberta ou uma fresta na janela é suficiente para promover a troca gasosa e garantir um descanso reparador.
O perigo do ar viciado
A ciência tem olhado com lupa para o que acontece dentro de quatro paredes enquanto dormimos. Uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven monitorou voluntários e constatou que, em quartos totalmente fechados, a concentração de CO₂ saltou de 717 ppm para 1.150 ppm em média. Esse “ar viciado” impede que o corpo entre nas fases mais restauradoras do descanso.
Segundo a médica Gabriela Passos Arantes, especialista em Clínica Médica, o mecanismo é fisiológico. “Quando a renovação do ar é limitada, o CO₂ que eliminamos na respiração se acumula. Isso afeta o sistema nervoso autônomo e respiratório, muitas vezes sem que a pessoa perceba conscientemente que o ar foi o culpado pelos despertares frequentes”, explica.
Grupos de risco e desempenho
Embora o impacto seja sentido por todos, alguns grupos sofrem mais. “Idosos e pessoas que convivem com insônia, ansiedade ou problemas respiratórios são mais vulneráveis”, alerta Gabriela. Mesmo jovens saudáveis que dormem o número de horas adequado podem apresentar pior desempenho cognitivo e irritabilidade se o ambiente não estiver ventilado.
O médico especialista em medicina do sono, William Lu, reforça que níveis elevados de CO₂ na corrente sanguínea forçam o organismo a permanecer em estágios de sono leve. O resultado é uma noite “trabalhosa” para o corpo, em vez de relaxante.
Ventilação vs. conforto
Muitas pessoas optam por fechar a porta por questões de segurança, ruído ou temperatura. No entanto, o “equilíbrio ideal” é mais fácil de alcançar do que parece. Não é necessário dormir com a casa inteira aberta.
“O simples gesto de deixar a porta ligeiramente entreaberta já promove uma circulação suficiente para reduzir significativamente o acúmulo de CO₂”, orienta a médica.
Caso o isolamento acústico seja indispensável, a recomendação é buscar alternativas como sistemas de ventilação mecânica ou deixar uma pequena fresta na janela para garantir a troca de oxigênio.
Higiene do sono vai além do ar
A ventilação é uma peça fundamental de um quebra-cabeça maior chamado higiene do sono. Para que o cérebro desligue de forma eficiente, outros fatores ambientais devem ser controlados.
“A luz azul das telas é um fator crítico, pois inibe a melatonina”, pontua Gabriela médica e integrante da equipe do INKI, plataforma de consultas particulares. O cenário perfeito para um sono profundo e restaurador combina:
Ventilação adequada (baixa concentração de CO₂);
Escuridão total (para produção de melatonina);
Silêncio;
Temperatura agradável.
Ao ajustar a circulação de ar do quarto, o indivíduo adota uma intervenção gratuita e acessível que pode ser o diferencial entre acordar exausto ou verdadeiramente renovado.
Fonte: Vida & Estilo
