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Neurologista explica os primeiros sintomas da ELA, doença de Eric Dane

21/02/2026 às 11:45

O ator Eric Dane, de Grey’s Anatomy, morreu nesta quinta-feira (19/2), após ser diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA)

A morte do ator Eric Dane, conhecido por interpretar o médico Mark Sloan na série Grey’s Anatomy, reacendeu o alerta sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA). O artista faleceu nessa quinta-feira (19/2), aos 53 anos, em decorrência da doença neurodegenerativa.

Meses antes, ele havia tornado público o diagnóstico. Em entrevista ao programa Good Morning America, emocionou-se ao relatar a evolução do quadro: “Meu lado direito parou completamente”.

A declaração evidencia uma das principais características da ELA: a perda progressiva da força muscular. Embora grave, a doença costuma começar de forma discreta — e reconhecer os primeiros sinais pode acelerar a busca por ajuda médica.

O que é a ELA e como começa

Segundo o Ministério da Saúde, a esclerose lateral amiotrófica (ELA), é uma doença neurodegenerativa que afeta os neurônios motores, responsáveis por comandar os movimentos voluntários.

À medida que essas células se degeneram, o cérebro deixa de enviar estímulos adequados aos músculos. A ELA é a mais comum entre as doenças do neurônio motor (DNM), grupo que compromete neurônios no cérebro e na medula espinhal.

O neurologista Carlos Wagner Pereira Júnior, do Hospital Anchieta de Brasília, explica que o início da doença costuma ser sutil.

“A ELA geralmente começa com fraqueza localizada, muitas vezes em apenas uma das mãos ou em um dos pés. A pessoa pode perceber dificuldade para segurar objetos, tropeços frequentes ou alteração na fala”, afirma.

Sintomas da ELA

Sinais iniciais mais comuns:

Fraqueza em uma mão, braço, perna ou pé;

Dificuldade para segurar objetos;

Tropeços frequentes;

Fala arrastada;

Cãibras e contrações musculares.

Com a progressão:

Perda de força em outros membros;

Dificuldade para mastigar e engolir;

Comprometimento da fala;

Insuficiência respiratória em fases avançadas.

Para o neurologista Wladimir Bocca, coordenador da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), esses sinais podem ser confundidos com problemas ortopédicos ou outras condições neurológicas, o que pode atrasar o diagnóstico.

“A ELA é uma doença complexa e desafiadora, e a conscientização é a nossa principal ferramenta para garantir que os pacientes recebam o diagnóstico precoce e o acesso aos tratamentos e cuidados multidisciplinares de que precisam”, afirma Bocca.

Evolução e tratamento

A progressão ocorre porque os neurônios motores continuam se degenerando ao longo do tempo. De acordo com o Ministério da Saúde, a ELA compromete principalmente a musculatura voluntária, mas geralmente preserva as funções cognitivas.

“A característica marcante da ELA é a progressão. O que começa em um ponto específico tende a se espalhar para outros grupos musculares”, explica Carlos Wagner.

O diagnóstico é clínico e envolve avaliação neurológica e exames complementares para descartar outras doenças. Embora ainda não exista cura, os avanços científicos têm ampliado as possibilidades de cuidado.

Pesquisas investigam terapias para retardar a progressão e estratégias para diagnóstico mais precoce. O tratamento inclui acompanhamento multidisciplinar, com neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e suporte respiratório quando necessário.

Fonte: Metrópoles Saúde