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Torcedor do Uberlândia, que perdeu dedo em jogo do Mineiro, cobra indenização na Justiça
11/02/2017 às 09:40
O jogo era de Módulo 2 do Campeonato Mineiro-2014. Estádio Júlio Aguiar, em Patrocínio. Sociedade Esportiva Patrocinense contra Uberlândia Esporte.
Logo aos 13 minutos do primeiro tempo, um golaço. Gabriel Davis chapelou o defensor e marcou 1 a 0 para o Uberlândia. Na comemoração, euforia dos torcedores. Muitos subiram no alambrado para vibrar com o golaço. Foi o momento do acidente. Vinícius Maestri Garcez, conhecido como Kem, integrante da Torcida Jovem, nunca imaginava que aquela comemoração seria tão dolorosa.
“Foi quando o Uberlândia fez o gol. Eu subi no alambrado, segurei na tela. Minha aliança engarranchou na grade (o dedo foi lacerado). Aquela grade do Júlio Aguiar é criminosa. Muito perigosa mesmo. Eu tenho até medo que isso aconteça com outra pessoa”, recorda o torcedor.
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O Corpo de Bombeiros de Patrocínio, responsável pelos laudos do Júlio Aguiar, afirma que o estádio atende à legislação, mas alerta que qualquer torcedor que escale o alambrado corre riscos.
Um detalhe importante, Vinícius diz que naquele dia não tinha ingerido nem meia gota de álcool. Atendido imediatamente, pelos bombeiros, foi levado a um hospital de Patrocínio. Diante da gravidade teve que ser transferido para Uberlândia. Mas não teve jeito. O dedo anelar da mão direita foi amputado.
Processo na Justiça
Empresário do setor hoteleiro, Vinícius teve que se afastar do trabalho por 40 dias. Gastou algo em torno de R$ 10 mil reais com despesas hospitalares e tratamento.
A partir de então, ele foi atrás dos seus direitos, pois ficou sabendo do seguro, que consta no Estatuto do Torcedor:
Art. 16. É dever da entidade responsável pela organização da competição:
II – contratar seguro de acidentes pessoais, tendo como beneficiário o torcedor portador de ingresso, válido a partir do momento em que ingressar no estádio.
A seguradora contratada pela Federação Mineira de Futebol (FMF), na época, era a Royal & SunAlliance Seguro. O processo judicial de Vinícius é contra esta seguradora.
A causa teve início dia 19/08/2014, defendida pelo advogado Luiz Martins Netto, na 1ª Vara Cível da Comarca de Uberlândia. O processo está parado
desde o dia 20/07/2016, data da última movimentação, e ainda aguarda uma decisão judicial.
O valor da causa é de R$ 34.615,29. O advogado cobra indenização, por dano material, com a alegação de que Vinícius não perdeu somente um dedo, mas teve toda sua mão comprometida pela amputação.
Federação Mineira de Futebol
O Diretor Jurídico da FMF, Sérgio Resende, informa que a entidade deduz R$ 0,05 (cinco centavos) de cada ingresso vendido em jogos do Estadual para o seguro do público presente. Atualmente, a Federação tem contrato com outra seguradora, a Chubb Seguros. Sérgio explica em que situações os torcedores têm direito ao seguro.
“Na apólice de seguros que a FMF possui com a Chubb Seguros o torcedor tem direito de receber o pagamento do prêmio, no caso de acidentes pessoais. Entretanto, é necessário verificar os fatos ocorridos em cada caso para apurar o direito do torcedor em receber o pagamento do prêmio”.
Sobre o acidente de Vinícius, a FMF não emite posicionamento, já que não é parte no processo.
Esperança e desabafo
O acidente no estádio Júlio Aguiar ocorreu dia 8 de fevereiro de 2014. Três anos após o episódio, Vinícius “Kem”, hoje com 32 anos, segue acompanhando os jogos do Uberlândia, enquanto aguarda a decisão judicial. O torcedor desabafa sobre o caso.
“O sentimento em relação ao seguro é um pouco de decepção, porque é um direito dos torcedores quando compram o ingresso.
Eu tive esse acidente. A dor maior não é nem o gasto financeiro, mas é ter machucado, ter perdido uma parte do meu dedo. A gente esperava estar respaldado, mas ninguém nunca me procurou. É uma pena muito grande a Federação Mineira não ter dado atenção. Isso não pode acontecer.
A justiça é lenta, mas eu acredito nela. É um direito meu, acredito sim que vou receber. O seguro é uma coisa que a gente tem pra não precisar, mas na hora que precisa tem que contar com ele. Então, espero que todos possam contar com o seguro se acontecer alguma coisa dentro do estádio”.
Filipe Ferreira
